Desculpe, o seu relacionamento não é o meu!

Nos anos de 2011 e 2012 eu trabalhei em uma Vara de Direito de Família, e como conciliadora cheguei a realizar em média de 300 divórcios em um único mês. Para uma pessoa com convicções fracas, como eram as minhas na época, fazer em média 13 divórcios por dia, é acabar com a sua crença no amor rapidamente. Você vê os casais se atacando o tempo todo, os filhos no meio do fogo cruzado, e juntando tudo isso a uma ou outra desilusão amorosa, passa-se facilmente a acreditar que simplesmente não tem como ser feliz ao lado de uma pessoa neste mundo.

No meu exílio pessoal, que fui forçada a tirar por questões de saúde em 2014, depois de muito refletir, e de me voltar para Deus, cheguei à conclusão de que não é porque as pessoas ao seu redor tem um relacionamento ruim que você também terá. Tudo é uma questão de trabalho e dedicação e de como você se posiciona diante das situações.

Essas três palavras mudaram minha vida por completo: Trabalho, Dedicação e Posicionamento.

É certo que num relacionamento tudo é dividido, tem a parte dela e a parte dele, 50% a 50%. Uma hora ele cede, outra hora você e vice versa, e assim com trabalho e dedicação vai se construindo uma vida juntos. Quando um deixa de fazer a sua parte é quando o relacionamento começa a ter problemas, porque vai faltando colunas para suportar a carga emocional de ambas as partes, e chega uma hora que quebra.

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Eu sei que essa matemática foi frustrante para mim devido ao fato de eu não saber lidar com ela. Tudo virou um nó traumático na minha cabeça, mas no final, com a terapia e muita reflexão interior, o nó foi se desfazendo e eu percebi que não era porque eu ajudava aquelas pessoas com os seus divórcios, que eu teria que viver o que elas viveram, ou me fechar em uma bolha e esperar o mundo passar com medo de me ferir. Isso também não resolveria nada.

Eu não podia pegar a vida de pessoas que eu nem conhecia como exemplo para o que seria a minha. Não é porque o marido de fulana bateu nela que o meu vai bater em mim. Não é porque ciclana traiu o namorado que eu vou trair o meu. Não é porque os filhos de beltrana são mal educados que os meus tem que ser. Tudo é uma questão de se posicionar, de dizer: – O que eu quero para mim? E se comportar para que essas coisas não aconteçam, e se por acaso forem acontecer, tomar uma atitude e impedir.

Se o marido da fulana bate nela eu posso tomar o exemplo como um exemplo, porque é isso que ele é realmente para mim, e ficar atenta com o tipo das pessoas que me relaciono, tomar cuidado com pessoas autoritárias e tudo mais. Não transformar aquilo em uma realidade minha. É nisso que eu acho que o feminismo atrapalha e muito a vida das mulheres. Ele pega a realidade da Maria da Penha, e transforma na realidade de mais de 100 milhões de mulheres no país. Quando na verdade, apesar de ter um grande número de mulheres que sofrem com abusos, tem mulheres que nunca vão ser maltratadas, mas por terem aquela ideia de uma futura agressão incutida na cabeça delas, acabam se comportando de forma a impedir que coisas boas aconteçam em suas vidas. O que não quer dizer que não tenha que ser prudente.

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É aquela velha conversa que temos com nossas mães quando somos pequenos:

Filho: – Mãe eu quero ir brincar com X brinquedo.

Mãe: – Não. Você não vai.

Filho: – Mas o João vai.

Mãe: – Você não é o João. Se o João pular da ponte você vai pular também?

Nunca damos crédito a esse tipo de conversa, mas é a mais pura verdade. Mães são poderosas até em pequenas falas. Não é porque o João pula da ponte que eu tenho que pular. Não é porque a Maria é frustrada que eu tenho que ser. Não é porque o casamento da Sara fracassou que o meu tem que fracassar. São vidas completamente diferentes. Agora se eu me esforcei, e mesmo assim deu tudo errado, eu ainda posso escolher entre me encolher, ficar em uma concha, com medo de ser ferida pelo mundo, ou simplesmente sair e lutar para não cometer os mesmos erros e fazer de tudo para que minha vida seja como eu quero que ela seja. Não precisamos ser uma estatística, mesmo porque somos únicos.

Esse assunto vai se estender ainda por outros textos, mas por hora paro por aqui. Acho que a ideia inicial foi lançada e é isso que importa, começarmos a refletir sobre para chegar a um equilíbrio.

Um forte abraço, fiquem com Deus.

Texto escrito por: Dayana Panassi

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